10
Nov
09

União Nacional dos Estudantes

“Desrespeitar princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade150px-Venus_von_Willendorf_01

Moralidade, Brasil? Preste uma visita a Assis. Talvez no tempo das cavernas – como mencionou a UNE – não esteja a UNIBAN, não estejam os moralistas, não esteja o país. Está mesmo o sistema de educação e o ser humano. A que ponto de evolução nós chegamos se, hoje em dia, o método usado por um rapaz para seduzir uma moça chega a ser mais hostil para a integridade dela do que nos tempos das cavernas: uma marretada na cabeça. Hoje em dia, que a sedução e o flerte morreram, toda mulher é barata, toda mulher é fácil? Ainda não. Quem dera tivéssemos os homens das cavernas aqui, para idolatrar as mulheres férteis, incompatíveis ao padrão de beleza, quem dera estivéssemos no tempo das cavernas, UNE, porque o moralismo não era racional, ele era natural. Quem dera fossemos animais, mas basta de derar.

Imagem: Matthias Kabel

“Um fiscal foi deixado à disposição de Geisy para protegê-la em caso de uma possível agressão”

O que a UNIBAN devia deixar à disposição da aluna era a cara, para a moça estapear. Eu não estou aqui para fazê-la de coitada. Vou deixar isso a cargo de Márcias e Reginas da minha televisão brasileira e sensacionalista. De coitada ela não tem nada, tão menos tem os muitos coitados, coitados, que hostilizaram a moça porque… Por quê? Porque hoje em dia as magrelas são incomodadas, as gordas são incomodadas, as baixas são incomodadas, as altas são incomodadas. Tudo é motivo, se não de chacota, de inveja. E é normal falar que as pessoas sentem inveja. É uma desculpa usada para se justificar qualquer coisa, mas a que outro tipo de coisa você atribui isso? O moralismo é uma falta de liberdade absurda que me irrita profundamente. A necessidade que as pessoas tem que os outros se comportem como elas acham certo. Os outros.

“Eu mesmo já usei roupas muito mais escandalosas, fiz sexo com três garotas no banheiro da faculdade e nada me aconteceu”

Talvez Madonna seja mesmo a melhor pessoa para se citar no que diz respeito a moralismo. Não que – deixe-me fazer uma coisa agora que sempre quis, para zombar com saites de famosos, revistas de fofoca e colunas sociais – a material girl seja em algum momento uma estudante hostilizada, ou tenha isso em seu passado. O que cai bem aqui é que Madonna foi quem tanto abriu as pernas sem ninguém falar nada, até achar bonito. Foi vítima de moralismo, mas era bonito. E é bonito a beleza que se vê na tal da aluna da UNIBAN? É bonito. Porque se não fosse bonito, não haveria retardada alguma para gritar e fazer birra, para invejar e fazer festa. Se não fosse bonito não havia menino para chamar de gostosa, não havia criança – estou falando dos estudantes – para fazer aquele escândalo, aquela pouca vergonha em um país onde um biquine fio dental é absolutamente normal. Onde a maior festa, a mais bonita, é a da carne, nosso Carnavel. Ainda era bonito quando iam as belezas da Mangueira nos carros, ia o Samba (capital, sim senhor) à frente das mulheres. Hoje em dia vai uma vagabunda qualquer, cheia de pouca roupa e muita carne. Carnaval Marinho. O ambiente escolar nunca foi dos mais compreensivos, dos mais avançados e muito menos – muito – respeitou a individualidade de cada um. Se estudantes – olhe só, eles deviam estar sendo educados – são moralistas a ponto de hostilizar, a pergunta maior aqui é que tipo de porcaria estamos ensinando para eles.

“Opressão que as mulheres sofrem cotidianamente, ao serem consideradas mercadoria e tratadas como se estivessem sempre disponíveis para cantadas e para o sexo”

É. É exatamente nisso que se encaixa a bela porcaria que tem dentro da cabeça da juventude brasileira. Ela é puritana, reprova e se reprova. Cada um é santo no seu espaço, mas, com licença, quantos desses alunos é que se privam desse açougue enorme que o brasil – com letra minúscula, estou cansado dessa porcaria aqui – virou. É mulher e homem disposto feito carne, uns com mais outros com menos, pendurados em ganchos e rodando.

Se culpo as pessoas que quase lincharam a garota? Eu culpo. Certa vez, lendo a minha séria favorita de livros,  li sobre a psicologia das turbas. Foi a primeira coisa que me veio à cabeça – depois de “Como esse Bóris é foda” – quando vi aquele gado correndo atrás do boi mais gordo do pasto, todos com olhos gordos naquela carne, no abate. Chamar de inveja é algo tão batido, algo tão comum, que eu nem vou fazer isso. Mas se alguém chega ao ponto de se incomodar tanto com tão pouco – tão pouco: uma fulana com um vestido curto -, esse alguém tem que ser ou muito pouco ou nada para consigo mesmo. E, olhe, foram muitos os fulanos.

“Embora o Brasil seja conhecido por seus trajes pequenos, principalmente em cidades litorâneas, a maioria dos estudantes se vestem modestamente no campus”

O que me motivou a escrever a respeito? O já mencionado Bóris. Meu jornalista preferido. O chute na barriga, entre os outros muitos, que ele deu na UNIBAN foi tão bonito que me vi escrevendo, pesquisando e simpatizando com a moça.

Simpatizando com a moça. Olhe, eu não acho que uma roupa curta seja algo bonito. Eu não acho que exibir seu corpo como se tivesse só aquilo a oferecer – e, convehamos, é o que tem ocorrido nesse grande mercado de prostitutas com nome de país (me deixe exagerar) –  seja de qualquer maneira bom para a imagem da mulher no Brasil. Eu, tão menos, irei usar um argumento de 60 anos de que “isso não justifica”, porque o que justifica a ação dos retardados é que eles acharam a roupa da moça errada. Isso justifica, só não torna correto. O correto era que cada um cuidasse das próprias pernas, mas isto é algo que estamos tentando fazer tem muito tempo. Mas “correto” aqui não me cabe, porque estou sendo moral com os estudantes. Eles achavam correto que a moça não usasse as roupas. A história aqui é outra: a roupa é dela, bem como o corpo. Tão menos cabe a mim, tampouco aos estudantes decidir se ela estava certa. Muito menos à UNIBAN, muito menos à mídia.

Eu detesto o Fantástico. Assisto regularmente. A reportagem exibida a respeito da jovem foi ainda mais indignante, pois foi analisar se o vestido era ou não adequado.

Pare e pense.

Foi nesse momento que se abriram as pernas do moralismo. Foi quando o espectador devia ter mudado o canal ou desligado a tevê. Nesse ponto, ter ido ver um filme pornográfico teria sido de mais valia, porque é humilhante para qualquer mulher ver um completo retardado te dizendo se você pode ou não usar o seu vestido, de acordo com o comprimento deste.

Numa recente viagem de carro dentro da cidade de São Paulo, ouvi opiniões diversas e uma discussão levemente acalorada a respeito da aluna. Desconhecia todo o caso, porque me abstenho estranhamente da mídia – sem querer – e sei das coisas tarde demais. Repito, eu só estou escrevendo isso por causa do Bóris. Na ocasião, fiquei quieto. E dado o que era dito alí, se eu tivesse dito o que achava acho que tinha me arrependido. Ia me prolongar tanto…

“Eu fui a vítima. Como que eu posso ser expulsa? A vítima é expulsa da faculdade? Isso é um absurdo. Vamos ter que tomar uma atitude. Isso é inaceitável. Eu não vivo no Oriente Médio. Alguma coisa será feita”

É. É absurdo. Não ela ter sido expulsa – bom, isso também – mas ela achar que no Oriente Médio isso, de algum modo, aconteceria (ou pior). Claro que se fizesse a moça iria sofrer consequências, mas é aí que acontece a magia: não acontece. Uma mulher não mostrar o corpo, não se expor, não ser vista nem vendida, nem pesada, analisada, rotulada e medida é intolerância? Eu acho que isso é uma presença de respeito absurda, isso sim. Mulher do Oriente Médio é tida aqui, no lado “certo e democrático” do mundo como uma coitada, que é submetida e obrigada a se cobrir. Ninguém sabe que as mulheres de lá, olhando as daqui, sabem que as daqui é que estão completamente vendidas e submetidas a serem um produto, um objeto sexual. Eu vou admirar mesmo o dia que, de burca, uma mulher nesse país for admirada. Porque vai ser nesse dia que uma mulher, nesse país, vai ser admirada pelo que é, e não pelos plásticos que ostenta.

“Indicando uma postura incompatível com o ambiente. Ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos. A atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar. Sempre gostou de provocar os meninos. O problema não era a roupa, mas a forma de se portar, de falar, de cruzar a perna, de caminhar.”

06
Nov
09

Carta de Despedida

República de Daneb’r, 18 de setembro de 1998

Prezada Sofia,

Tenho que ir, é isso. Chegou a hora de eu deixar as coisas por aqui e voltar para o lugar de onde eu vim, que você sabe bem onde é. Eu deixei as fotos com os ensaios das crianças famintas, a decaptação do pedófilo e o nu que você fez comigo na pasta sob o lampião. Ele ainda está cheio do óleo que você comprou na sua última ida ao mercado de pulgas, portanto acredito que seja melhor você comprar mais para repor. Mais do que isso, preciso lhe deixar advertida de três coisas: Um, você foi completamente vulgar e passável durante a penúltima festa a que comparecemos. Eu detestei a sua companhia e me arrependi tremendamente de ter lhe oferecido um pouco de bebida. Talvez eu preciso me comportar mais ao tratar com pessoas fáceis, volúveis e tolas. O que prova que não sou capaz é a presença da palavra “penúltima”. Dois, eu não consegui, até agora, gostar de mim. Ainda acho que não valho o que como e que vou acabar que nem o de Lobato: indo embora do meu próprio sucesso. Pretendo continuar a rebater todas as tuas resenhas de quatro estrelas, talvez porque quero uma mimada quinta. Três, páre de se empanturrar de ilusões tão ousadas. Certas vezes você vai se ver tão desiludida, tão medida e tão metida sem esses artifícios que vai se sentir dopada constantemente. E não vai poder tomar essas coisas que ficam fora do teu corpo, fora do teu rosto. E eu, que sempre consegui me livrar da dor e mergulhar na inércia sem nada pra me ajudar é que vou dormir como um anjo, e você que se proclama divina, vai beber do inferno e cuspir no céu, porque eu tenho e tenho de novo meus medos cristãos, pagãos.

Carinho,

Teodoro.

06
Nov
09

Contrabrigo

“Me prometa uma coisa, Ellie”, ele disse me abraçando, como sempre fazia, pela barriga. Gostava dela. “Hm”, lhe respondi apreensiva, querendo saber o que é que ele ia me falar dessa vez. Sempre que ia me dizer algo ensaiado, pra me deixar impressionada, de olhos bem abertos, apaixonada, ele começava com uma pergunta, um pedido de permissão. Carl sempre foi muito sistemático. “Nunca, quando te perguntarem se seu namorado te ama, responda que ‘acha que sim’, ‘diz que ama, né?’ ou qualquer coisa do tipo. Diga sempre que sim. Diga com firmeza, diga que te amo muito. Porque eu quero que você tenha orgulho disso” Como de costume, ele realmente me deixou boquiaberta, impressionada e apaixonada, de novo. Carl tinha dessas, de me fazer querê-lo mais, de repente. E tinha dessas de orgulho, de eu ter orgulho de dizer aos outros que tinha namorado, que era ele, que ele era bom, que era o que eu queria. Mas não era.

06
Nov
09

Permanente Permanência,

Distância é um meio corriqueiro de se estar perto. Mundano, mas eu até entendo a mania de se distribuir genes pelo mundo como se não importasse. Pense em cartas que nunca chegam: te escrevi uma eternidade delas. Tantas, tantas. Você já até me disse sobre a tua curiosidade a respeito das mesmas, e olha que você até já leu algumas e nem sabe. Essa idéia de não saber sobre as coisas que foram feitas pra ti, ou a você endereçadas, é deveras incômoda, não é? E eu tenho falado, nesse meu jeito epistolar, recente, com você e você nem percebeu. Às vezes percebeu, às vezes não. Todas eram pra você, e eu não queria, confesso, que percebesse isso. Agora, talvez, me decodifique, sinta todos os cheiros com meus narizes. Quantos egos, quantas (cic)atrizes.

Já espiou, alguma vez, luzes por sob a porta? Eram carruagens chegando, cheias de gente mandona e estúpida, pomposa, com pano branco e pose de dama. Mas o que eu vim te dizer é como eu sinto a falta de suas… e como você sente falta de minhas…

Eu sempre senti uma diferença gritante entre as coisas que você dizia e as que eu interpretava. Era como se te entendesse errado, se te visse com outros olhos – e não com os que você, irritantemente, me dizia que te via. É agonizante, veja bem, sentir que te causo dor – e olha que te faço bem. Vive, permanentemente, me dizendo com cada um dos teus egos que te faço sentir como nunca antes, bonita e ardendo de dentro para fora, e eu tentanto empurrar beleza garganta adentro no teu corpo que se viu perfeito pro meu toque, e você com seus retoques, se distorcendo pra mim. É sério, isso tudo. Eu estou tentando com a firmeza abençoada, e estou conseguindo, mas os teus avisos, repentinos imperativos, me fazem fraquejar. Eu quero é que valha a pena, e que a ausência de permanência não nos torne volúveis, mas ansiosos. Não sofridos, não penosos, mas seguros e audaciosos. Que venha com sede, porque eu sei que vivo te secando a garganta, mas venha e aproveite, te deite, deleite.

O que eu mais desejei, de todas as coisas que você me ofereceu – e dada a quantidade enorme de ofertas que recebi de – e a teu – seu respeito, poderia ter me empanturrado, tido uma superdose – foi… mesmo sabendo que o que você queria que eu pedisse era…

Mas não sou eu que te causo isso, sou? Permanente permanência, eu vou acabar cedendo a mim mesmo ou você ainda vem e me protege do que eu quero? O que eu quero? Eu não tenho medo de chorar na frente dos teus olhos. O meu medo mesmo é você chorar na frente dos meus, de continuar a te causar isso sem que você se acostume. E olha com que coisa horrível eu quero que você se acostume. No fim das contas, eu e meus desejos acabamos achando que quem te machuca somos nós, coletivos e ariscos, querendo tanto teu toque indolor. É egoísmo, mas me disseram uma vez que amor é isso.

‘qui está o trecho que você queria ler: falta fôlego pra a distância. Sobra tanto, em tanta ausência; permanente, permanência. E você nem ia saber, se eu não tivesse te dito. Agora, talvez, você perceba que o sujeito dessa história toda foi sempre você. Mas olha, não me diz. Se abaixa e finge que nem percebeu, porque eu não quero falar disso. Se vier, vou fingir que não é comigo, negar minha assinatura marcada, fugir pela porta trancada. Às vezes, e são mais que pensamos, as mensagens são só de ida – queime depois de ler.

Bote um pouco de tempero: pimenta e mau che’ro, detesto teus inteiros. É tão repentino, minha reação quieta, absurda, surda. Eu não te digo direito, e vai ficando esse dilema, do que me incomoda e ainda assim, mudo, não te deixo ouvir o problema, e vou fazendo prosa em cima de música e vice-versa, que complicada essa conversa. Quando leio certas coisas que escrevem pra você e penso se – ou que – devia mesmo ponderar as que eu escrevo, porque te dizem coisas muito absurdas. E “absurdas” cabe aqui como cabem minhas mãos em volta dos teus… dedos. Iludida, desejo. Que bonita, que espécie rara e viva, eu te disse que você é. Mas, se você ler o parágrafo de novo, vai ver que isso não é sobre minhas reações. Repentino é o teu jeito de olhar para o nada, se juntar à minha passada e eu me envergonho por você. É, confesso que é bonito, teus todos santos vivos, e o meu medo de te perder. E revoltante, à minha maneira de não manifestar o que eu devia – porque eu devia, e muito, tanto quanto me esforçar pra isso tudo fazer sentido, favor ignorar a autocrítica -, de não soltar os cachorros contra tudo que me afligia, de não roubar a cena e te chamar de permanente, Sofia.

Cristina, beleza presa em meias finas, pose de nunca mais, gola alta e albina. Eu tenho pensamentos frequentes a seu respeito, já te disse. O que não falei foi que eles, todas as vezes, terminam com…

Se a gente compete, e vai se enchendo de cotoveladas, macias e arredondadas, eu vou percebendo – me deixe falar assim, porque continua acontecendo – que eu te quero de um jeito um tanto doentio, que não é saudável nem pra você, nem pra mim. Nessas horas, e o triste é que meu maior apoio está perdido no estado mais gelado dos Estados Unidos, eu sonho como se eu não tivesse a mínima necessidade de acordar e dormir de novo, gelar o rosto e perder a minha própria boca entreaberta no pé do teu ouvido. Complicado, eu sei, mas um ou outro sempre é capaz de criptografar uma carta sem inventar código nenhum, além do subjetivismo. Eu estou fazendo diversas observações em meio a isso, e a complicação é um efeito que eu queria criar, veja bem.

Instruído por você, fiquei sabendo que não queria saber das coisas que te causavam dor e que preferia o desconhecimento. Somos dois, meu amor. Foi aí que você começou a me encher de ciência, me explicar todos os motivos de sua decência. Decência. Há adjetivos no dicionário que me fazem abrir os olhos e respirar fundo, entre eles “rara”. Se eu tivesse procurado mais um pouco eu não teria achado nada tão incrível quanto o que achei sem procurar, sem querer e sem pedir. Veio como se fosse óbvio, como se fosse mágica. E mágica – gosto mais de chamar de “magia” – é uma bênção, se não for uma saída. Saídas, como as que você tanto me cita e me assusta, replica. O suicídio é romântico demais pra mim, tudo termina sem ter nenhum fim. Fim.

01
Nov
09

Permanente Lúcia,

Eu tenho frequentes pensamentos repentinos a seu respeito. São todos, ou pelo menos em sua maioria – mas sempre contamos para as pessoas que são todos, já que assim ficam felizes -, positivos e interessantes tanto para você quanto para mim. Os anseios que tenho para, de dois um, te ver porque fui eu te ver porque veio, são tão intensos que os que tenho depois de saber que, de dois um, não vou ou você não vem, são aterradores à sua maneira. É que você me puxou não pra junto de ti, mas pra longe do resto do mundo. E que mundo, que grande que ele é, e a gente não sabia. Porque era normal achar que era pequeno, porque nos contaram que ela. Mas, vá lá, matar saudade e não enjoar. Pra desfazer-se, de novo e desse jeito permanente, Lúcia, dos amores fáceis. Percebi recentemente, te olhando como sempre faço – relance, solitude, louvor permanente -, que é tão suscetível às emoções das coisas que vê que se contorce com as que mal me comovem, que nunca me encantam. Foi sorrindo para as tuas mudanças, te acompanhando nas andanças que me perdi com, em e longe de você. Desentendido disso tudo, poesia pra tu ver.






 



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